domingo, 27-03-2011

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A luta contra o racismo é tema central do filme “A Outra História Americana”

“A Outra História Americana” não é apenas um retrato da dura realidade de tempos passados, mas também uma reflexão a respeito do que o ódio e a influência podem causar às pessoas. Sabemos que no decorrer da história da humanidade, muitos foram os líderes e suas conquistas quando se fala na luta contra a discriminação racial, mas é sabido que essa mesma luta ainda é uma realidade necessária. Isto porque, é possível encontrar na sociedade contemporânea, brancos que odeiam negros e o que eles fizeram à sua sociedade “limpinha”; assim como negros que não toleram brancos e suas indiretas racistas. E assim, eles permanecem nessa disputa sem ao menos saber o real fundamento de suas ideologias. Em face dessa realidade absurda, é possível compreender porque a Constituição Federal Brasileira, em seu artigo quinto prescreve que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Contudo, apesar da proteção da Carta Magna, a legislação ordinária foi além na proteção contra o racismo e em 05 de janeiro de 1989 foi sancionada a Lei 7.716, conhecida como a lei contra o racismo.

Passamos desta maneira a análise do filme que conta a história de Derek Vinyard (Edward Norton), filho mais velho de uma família de classe média alta, que, após a morte do seu pai, exterioriza toda a sua ira e rebela-se contra todos aqueles que, segundo ele próprio, causaram os desajustes sociais em sua sociedade americana “limpa e justa”, e roubaram seus direitos. Torna-se, então, líder de uma gangue racista cuja ideologia é embasada nos princípios neonazistas tendo como objetivo eliminar aqueles que, conforme ele acredita, não passam de “parasitas” convivendo em sua comunidade branca.

Contudo, o objetivo principal do enredo não é enaltecer os ideais nazistas, e sim apresentar ao telespectador a reabilitação de Derek na cadeia, preso por matar dois homens que tentavam assaltar seu carro. Após essa experiência ele busca reaver seus conceitos e tenta encontrar a razão que desencadeou em si esse sentimento de ira e ódio. Paralelamente, seu irmão mais novo, que o tem como ídolo e herói, ingressa no mesmo caminho iniciado por Derek antes da detenção, e  passa assim a dar continuidade ao legado Vinyard. Porém ele é surpreendido quando percebe que Derek retorna com uma ideologia diferente após cumprir seus três anos de pena; ele agora procura reparar todos os erros que cometeu.

Em face do exposto, é possível perceber que diante de uma narrativa tão polêmica se faz necessário muita responsabilidade ao representar tamanha história, e Tony Kaye assumiu com grande maestria essa função, conseguindo sensibilizar a todos com essa forte retratação da violência como consequência da xenofobia, ademais, o diretor também consegue descrever o poder da influência que as pessoas que amamos têm sobre nós.

A produção possui uma fotografia belíssima com incríveis planos em preto e branco para apresentar flash backs. Em contrapartida, temos o desenrolar da história em tempo real sendo narrada por Danny Vinyard (Edward Furlong). O Roteiro, por sua vez, é fantástico (David McKenna) com um ótimo desenvolvimento, o que prende o telespectador do início ao fim através de diálogos e cenas memoráveis. E o que não poderia faltar para a excelente concretização do filme, atuações impecáveis; com destaque para Norton (indicado ao Oscar de melhor ator) e Furlong que foram gigantes em cena, conseguindo transmitir toda ira e sofrimento através do olhar.

Grandiosa produção que cumpre o escopo de exibir a origem do racismo e como ele pode invadir a vida de certas pessoas, as deixando completamente cegas, irascíveis e propensas à violência; conduzindo-as a desenvolver um sentimento como o ódio, que, como o próprio Danny ressalta, “é um peso e não vale a pena!”. Com isso, concluímos enfatizando que um filme deve ser magnífico na técnica e arrebatador na capacidade de comunicar suas pretensões. É exatamente isso que, “A Outra História Americana” nos deixa como legado.

 

Autor: Lincoln Ferdinand – Graduando do curso de Direito da Universidade Estadual da Paraíba e coordenador do blog sobre cinema – Cinemafia: http://cinemafiablog.wordpress.com/.
Co-Autora: Natally Coêlho – Graduanda do curso de Direito da Universidade Estadual da Paraíba e editora da revista eletrônica A Barriguda.

 


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