A Beleza da Lágrima

A história sofrida de uma menina do Sertão mostra que a esperança e o sonho são capazes de superar as maiores dificuldades

 Por Renata Fabrício*

 

A história é de uma garota que vive no Sertão do Nordeste na década de 1970. É comum não contar as lágrimas logo na primeira página de Cely, a menina-poesia. A autora Vanuza Souza, que usa o nome literário Aynin Mayuma, expressa toda a beleza da história sofrida, chorada e sentida na pele. É um romance repleto de emoções e sentimentos que se desenrolam no sentir fome, vivenciar a miséria e no sonho que transcende todas as outras sensações.

Enquanto as crianças da geração atual estão preocupadas em comprar os próximos lançamentos da Apple, a história de outra criança é contada em um cenário quase surreal. Cely, apesar de fazer parte de uma história sofrida, é personagem principal de um conto de esperança e fé na vida.

O livro conta a saga vivida por uma garotinha que após declamar um poema questionando a fartura na mesa do patrão do pai, e a miséria na mesa de casa, é censurada pela poesia. Cely é enviada à cidade para estudar e, o que era para ser uma vida tranquila, torna-se uma das maiores dificuldades vividas por uma criança. É espancada pela madrinha da mãe e obrigada a fazer todo o serviço doméstico perdendo um ano de estudo. Em uma fria madrugada é abandonada de olhos e bocas vendadas no meio de um lixão onde passa a catar lixo. Mas o sonho de Cely era o combustível de sua vida. Recitar poesia e declamar seu sentimento era talento natural para a menina e no desenrolar da história fará com Cely dê um novo rumo em sua vida.

Lançado este ano na FLIBO – Feira de Literatura de Boqueirão, Cely é a maior inspiração de vida para autora Vanuza Souza (Aynin Mayuma), que põe em questão se as crianças da “geração tablet” estão sonhando. Questionada sobre a ideia de transformar o livro em uma produção audiovisual a autora anima-se: “É o meu maior sonho. Quando escrevia, escrevia pensando e vendo Cely em uma tela, passeando pelas imagens. Talvez pelo fato de escrever teatro isso tenha marcado o sonho de ver Cely na arte visual também. Ver Cely declamando com cor e luz seria a plenitude desse sonho literário”, explica a autora.

Vanuza Souza Silva usa o nome literário Aynin Mayuma, é natural de Recife (PE) e reside atualmente em Campina Grande (PB). É licenciada em História pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), bacharel em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e doutoranda em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Foi professora substituta pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, campus Caicó/CERES-UFRN; atuou como professora de História na Faculdade Católica Santa Teresinha em Caicó e trabalhou na Universidade do Vale do Acaraú como professora de História. Atualmente é professora substituta pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no Departamento de História. Em 2010, a autora foi classificada em primeiro lugar no 6º Prêmio Construindo Igualdade de Gênero, com o artigo “Lourdes Ramalho: Performances de Gênero na Dramaturgia Nordestina”, promovido pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPM), Ministério da Educação (MEC), Conselho Nacional de Desenvolvimento e Pesquisa (CNPq) e Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (UNIFEM). Publicou o primeiro livro Gostar de Ler a Vida! em 2010. Cely, a menina-poesia é seu segundo livro da autora.

*Renata Fabrício é estudante do 4º Período do Curso de Comunicação Social (Jornalismo) da UEPB

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