A Poesia e o Direito

Advogado me fiz
Por ser nobre a profissão
Poeta (se sou) nasci
Foi da vida a decisão
E sendo ela generosa
Deu-me de um lado a prosa
Pra concorrer e ganhar
Pra completar a magia
De outro, deu-me a poesia
Para viver e sonhar.

No direito precisei
Quatro anos estudar
Na poesia esperei
Só o momento de falar
Dando meus primeiros passos
Não encontrei embaraços
Para as rimas proferir
Não precisei de ensino
Somente o Mestre Divino
A lição me fez seguir.

No direito necessito
Códigos, decretos e leis
Na poesia, dispenso
Num só ato, todos os três
Só preciso de um momento
Calma, paz e sentimento
Aí surge a inspiração

Ao contrário do direito
Onde estou sempre sujeito
Aos princípios da razão.

No direito é necessário
Que esteja sempre informado
Da aplicação das leis
Das reformas, dos julgados
Como poeta, ao contrário
O meu único glossário
Emana do coração
O sol, a chuva, a lua
A flor, a noite, a rua
Já garantem o meu refrão.

No direito, com cuidado
Faço clara exposição
Narrativa cautelosa
Fatos, fundamentação
A poesia só traz
A ternura, o amor, a paz
O carinho ou o lamento
Diferente do direito
Somente o que vem do peito
Suplica deferimento.

Como advogado, luto
Contra toda injustiça
Como poeta, ausculto
Sentindo outra premissa

Num, separo do abismo
No outro uso o lirismo
Natural do sonhador
Buscando a fórmula correta
Pra ser um doutor-poeta
E um poeta-doutor.

Autor: Manoel Clementino – advogado e poeta..(Extraído do Livro Rastros do Tempo)

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