Avaliação e Construção do Conhecimento

No contexto em que estamos inseridos, presencia-se crescentes e significativos debates no tocante ao estudo da avaliação como elemento de construção do conhecimento, mas, mesmo assim, não se obteve qualquer conclusão pertinente em relação a essas discussões. Um dos principais motivos dessa problemática, acredito eu, é o fato dos referidos estudos estarem voltados apenas para o que “deve ser” e o que “não deve ser” da avaliação.

Desta dificuldade decorre o fato de os “ditos” estudiosos no assunto limitarem seus esforços tão só às críticas sobre o tema, sem ao menos esboçarem soluções plausíveis, capazes de ajudar a nós professores, desejosos de exercer a avaliação em benefício próprio e, principalmente, de seus alunos. Apesar disto, de ações arbitrárias e com sentido punitivo, tem-se o consenso de que a maioria de nós, em verdade, tem total ciência de como deve proceder diante da avaliação. Contudo, estudos apontam que esta arbitrariedade, na maioria dos casos, justifica-se através do reflexo que fazemos de nossa própria história de vida, como aluno e como docente.

Para se reverter esta situação – e aí eu falo, tão só, por mim – é necessário que eu me reconheça como possuidor desta dificuldade, revivendo as experiências de aluno e de ministério, para se evitar, assim, que estas surjam, inconscientemente, em minha prática profissional.

Partindo deste contexto, observa-se que, de fato, os professores, das mais variadas categorias, tendem a associar, à avaliação, sentidos pejorativos, e raramente de cunho positivo. Este “medo” ou “asco”, inconscientemente presentes no professor, são transformados em instrumentos de pressão por parte deste em relação aos alunos.

Assim, diante deste medo, passa-se a questionar o real sentido da avaliação, de sorte que, em alguns casos, cogita-se, inclusive, sua exclusão (ainda que utópica).

Daí, pergunto: qual o sentido da avaliação? Devemos mantê-la ou excluí-la?

A avaliação, em razão, não deve ser, necessariamente, eliminada, mas sim usada de forma diferenciada, revertendo seu caráter coercitivo por um sentido de construção, crescimento, auxiliando o aluno no reconhecimento de suas dificuldades e na absorção real dos conhecimentos.

Para isto, não devemos considerar a ação de educar e a ação de avaliar como dois momentos sem relação. Ao contrário, devemos, não só como alunos, mas, em especial, como professores, reconhecer e aceitar a avaliação como ente essencial à educação, permitindo, através de sua correta aplicação, um acompanhamento paulatino da trajetória de construção do conhecimento do educando.

Nessa perspectiva, a avaliação obedece, como premissas, a possibilidade dos alunos construírem as suas próprias verdades e a valorização dos interesses e manifestações desses alunos.

Em consequência, os “erros” não são “descartados”, mas sim usados como base impulsionadora da ação educativa, uma vez que dão ao professor as “pistas” de como o aluno se posiciona diante do mundo, ao construir suas próprias verdades, gerando assim, oportunidades de uma ação-reflexão que servirá de estímulo para que este novamente se questione, a partir de suas respostas.

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