“Se me perguntarem a idade dos meus sonhos, direi: os sonhos nao envelhecem”

Década de 60. Belo horizonte. Jovens amigos, inicialmente, Márcio Borges e Bituca (Milton nascimento), passaram a se reunir no ‘’quarto dos homens’’, como era chamado o cômodo da casa dos Borges, no edifício Levy. Ali começaram a criar suas filhas, como eram chamadas as primeiras canções. Bituca com sua batida irreverente no violão musicava as primeiras letras.

No decorrer da segunda metade dos anos 60 e inicio dos anos 70, novos personagens surgiram e firmaram parceria com os dois primeiros. São eles: Fernando Brant, Lô Borges, Ronaldo Bastos , Wagner Tiso, Beto Guedes, Toninho Horta, entre outros que peço perdão se esqueci de nomear. Era o “Clube da Esquina”. A partir daí, as composições cada vez mais ganhavam força e festivais em Minas e em outros estados.

A esquina entre a rua  Dovinópolis  e  Paraisópolis, no bairro Santa Teresa,  passou a ser um dos pontos de encontro desses músicos, e, como eles mesmos chamavam, passou a ser o clube daquela turma. Surge assim o nome do projeto musical mineiro. Lá, as músicas amadureciam a cada dia, com influência da bossa nova, das ideias da contracultura, movimento beat, do quarteto de Liverpool, que revolucionou a o cenário musical da época, do folclore mineiro, das batidas de limão nos botecos do maletta e das caminhadas noturnas pelas ruas da cidade.

Os dias pareciam um 7 de setembro sem fim. Tanques e homens fardados, fuzis a ponto de bala e gases lacrimogênios não paravam de desfilar. A esquina não se calou frente às algemas. De forma subjetiva o clube cantava em dó maior: ‘’a parede das ruas não devolveu os abismos que se rolou. Horizonte perdido no meio da selva cresceu o arraial, o arraial (…) a cidade plantou no coração, tantos nomes de quem morreu ’’

Nos anos 70, o grupo gravou dois discos: Clube da Esquina 1 e Clube da Esquina 2. A partir de então, tesouros da música popular brasileira, como: Travessia, Clube da esquina 1 e 2, Cais, Um girassol da cor do seu cabelo, Maria-maria, Trem azul, Ruas da cidade, entre tantas outras, se imortalizaram. As faixas traziam novidades ímpares. A percussão diferenciada, com um volume semelhante ao da voz, o violão, também, como instrumento de percussão e um tom orquestral, marcaram e inovaram as melodias.

É sempre um prazer ouvir as canções do clube. Viva o Clube da Esquina. Viva suas melodias, que trazem inspiração e sentimentos bons. Viva a música multifacetada, miscigenada. Viva a música brasileira.

 

 

Hugo Cesar Costa de Moura Luz, graduando do Curso de Direito da UEPB

Editor responsável pela Revisão Gramatical: Fábio Rolim

 

Deixe uma resposta

*