Didática pra quê?

Às vezes me questiono – qual uma “auto-avaliação” – acerca do meu papel enquanto professor, esse tal agente de “transmissão de conhecimento” (como se todo esse – o conhecimento – já existisse, restando tão só ser “repassado”)… Falemos, então, em “construção de conhecimento”; pesa menos.

O fato é que tradicionalmente os professores eram “moldados” para exercerem uma função meramente instrumental e repetitiva, onde o mais importante, num processo de ensino-aprendizagem, era a quantidade e não a qualidade no conteúdo ministrado.

É por isso que, na formação dos educadores, a didática exerce papel essencial nesta quebra de paradigmas, contribuindo para mudanças conceituais na “arte” de ensinar. Dela, se reconhece, diferentemente de uma dimensão eminentemente técnica, uma relação professor-aluno baseada num processo de ensino multidimensional, onde o aluno passa a ser reconhecido não mais como um ser passivo, desprovido de emoções e opiniões, para, ao contrário, assumir suas variantes ideológicas, psicológicas, econômicas, políticas e sociais.

O segredo desta prática não está, então, no acumulo de conhecimento, mas na forma ou no método como este é “construído” – e não apenas “transmitido”.

Desta forma, a didática pode nos ajudar a sermos professores competentes na medida em que, através de sua aplicação, passamos a valorizar os aspectos individuais de cada aluno e as características peculiares do grupo onde este está inserido, agindo de forma a abolir, ou pelo menos minimizar, as aulas “prontas”, sequenciais e exclusivamente técnicas, substituindo-as pelas aulas discursivas, questionadoras e geradoras de raciocino e indagações por parte dos alunos e, por que não, por nós mesmos.

É saber reconhecer e aceitar a individualidade e a inteligência inata de cada aluno, incentivando-os na busca voluntária de novos conhecimentos e, principalmente, assumindo as deficiências de todos, inclusive as próprias.

1 comentários

Concordo com a opinião expressa, em parte. A didatica fornece aos professores metodos e tecnicas para alcançar os objetivos visados. Ela instrumentaliza o professor.
Com as mudanças sociais e da educação, houveram adptações na didatica e na função do professor, nem sempre produtivas,. Mudanças nem sempre eficientes. Antigamento havia repetições, cobranças de memorização, mas se lia mais, se escrevia mais e melhor.
Hoje a imaginação e criatividade, se deteriora dia a dia mais, em especial em decorrencia das abreviaturas no mundo virtual.
Os grandes escritores morrem. Quem assumirá seu lugar?
Só estarão aptos a isso aqueles que tiverem um bom professor, capaz de se amoldar as necessidades metodologicas do que formar(objetivos) ao como formar(metodos) pois hoje em dia há preguiça mental e bem poucos estudantes estão preparados para o desafio criativo da pesquisa cientifica, da crianção fundamentada, do estudo como formação da propria estrutura humana, e não apenas aquisição de algum conhecimento, como se fosse bagagem que se pode ter ou não. Ser humano sem conhecimento, é homem pela metade. A melhor forma para despertar para a formação do conhecimento, para o desejo de aprender, quem dá , é a didatica, não a convencional, mas atual e eficiente. Aquela que torna o ser em formação em cidadão util a si e a coletividade, com consciencia do proprio valor.

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