Entrevista com Arthur Dantas Lemos

Arthur Dantas Lemos é consultor financeiro e fundador do site “Empreender Dinheiro”. Graduado em Administração pela Faculdade Boa Viagem, especialista em Mercado Financeiro pela BM&F – Bovespa, com MBA em Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas, também é analista de valores pela National Association of Certified Valuators and Analysts e Educador Financeiro credenciado na Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), além de manter outros empreendimentos pessoais.

A Barriguda: É de conhecimento geral que o Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo, o que por si só constitui forte obstáculo ao aparecimento de novos negócios. Entretanto, as transformações tecnológicas dos últimos anos incentivaram o surgimento de startups e a concretização de uma economia digital. Em 2015, este mercado cresceu 18,6% e movimentou R$ 2 bilhões, segundo os dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). A meta, conforme os dados da mesma instituição, é que em 2035 o setor fature valor equivalente a 5% do PIB (R$ 276 bilhões), para isso a educação empreendedora é fator imprescindível. Dessa forma, como o senhor encara as potencialidades desta atividade na criação de oportunidades de enfrentamento às crises econômicas e concretização de alternativas competitivas em relação às grandes empresas?

Arthur: Iniciativas empreendedoras desenvolvidas no ambiente digitais, deixam de ser promesssa e validam-se como realidade. Além dos números apontarem para isso, constatamos este fenômeno com quantidades cada vez maiores de empreendedores que consideram o ambiente digital como ambiente de negócios, e, sobretudo, com consumidores cada vez mais maduros sob a perspectiva digital, preparados para consumir neste ambiente, o que fomenta um mercado consumidor crescente e ávido por iniciativas disruptivas.

Plataformas digitais possibilitam estruturas empresariais enxutas e de baixo custo, poucos gastos fixos associados, alto poder de escalabilidade e, como consequência, indicadores de retorno sobre investimentos bastante agressivos.

A Barriguda: Em recente entrevista o senhor afirmou: “Economizar é diferente de poupar, que também é diferente de investir. Economia por si só não traz conforto, mas poupar no longo prazo sim”. O comportamento em relação ao uso do dinheiro é aspecto fundamental na vida cotidiana de todas as pessoas, mesmo que não se desperte para isso, as consequências são notáveis, por isso, a educação financeira é o aporte necessário para todos aqueles já empreendem ou desejam fazê-lo nas diversas áreas do mercado econômico. Considerando a metodologia DSOP, diagnosticar, sonhar, orçar e poupar, qual seria seu conselho para os jovens que pensam em começar a investir?

Arthur: Certamente, além de incentivar o início dos investimentos, minha recomendação maior é que enquanto jovem, deve se investir em educação e instrução financeira. Educados financeiramentes, estes jovens irão certamente utilizar seus recursos com mais sabedoria, fazendo mais com menos. A respeito dos investimentos, com instrução financeira estes jovens serão capazes de eleger os investimentos mais adequados para seus objetivos financeiros, além de construir uma proteção intelectual contra recomendações financeiras de baixa qualidade, tão presentes e comuns em nosso dia-a-dia.
Por fim, não se deve desmotivar caso o volume de poupança disponível para investir não seja, por enquanto, expressivo. No início da vida do investidor, mais importante que o valor investido ao longo dos meses, é a construção do hábito saudável de poupar de forma equilibrada e recorrente.

A Barriguda: Considerando o caldeirão político e econômico vivido no Brasil e as oportunidades geradas por ele no que se refere às aplicações financeiras, quais são as suas indicações para os cenários de diferentes mercados no ano de 2017, com a finalidade de ajudar cada investidor a ter a carteira que melhor atende suas expectativas?

Arthur: De fato, analisar o ambiente econômico no Brasil, atualmente, exige reflexões acerca do ambiente político. Em cenário instável como o atual, recomendo uma dose adicional de cautela e dedicação àqueles que investem com posicionamento especulativo.

É sim, um momento onde investir em conhecimento pode representar um upside marcante na performance das carteiras de investimentos. O mercado de renda variável como um todo, assim como mercados secundários de títulos de renda fixa (a exemplo de vendas de títulos públicos do tesouro nacional antes dos vencimentos dos respectivos papéis) representam um potencial de descolamento na rentabilidade das carteiras dos investidores. É um grande momento de oportunidade para aqueles que podem investir.

Lembro sempre, porém, a teoria de finanças que rege que para maiores riscos percebidos, os investidores constroem expectativas de retornos mais atraentes. Ou seja, encarando risco como volatilidade, há que se ter atenção e segurança ao realizar tais operações.

A Barriguda: Profissionais liberais representam parcela significativa da população brasileira, público que enfrenta dificuldades como encontrar dinheiro para começar a investir no negócio, definir preços de produtos e serviços, conseguir economizar dinheiro para investir, gerenciar o tempo e as próprias finanças, entre outros. Enquanto consultor financeiro, quais recomendações o senhor teria?

Arthur: Administrar renda variável é mais desafiador que administrar renda fixa. Enquanto profissional liberal, sugiro uma postura mais conservadora na hora de dimensionar os gastos fixos presentes no padrão de vida de sua família. Quanto maior a parcela de gastos fixos em seu orçamento, menor é a flexibilidade para se adequar a momentos de incerteza. Investir no próprio negócio, como colocado, normalmente requer disponibilidade e flexibilidade do candidato a empreendedor.

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