barriguda Posted on 11:35

Lançamento do Cordel Os versos d’O vaqueiro Antônio Bernardino versus Boi Cambaú do Sítio Sãojoãozinho

O lançamento do Cordel será no dia 28 de abril do corrente ano, a partir das 16h, no auditório da Escola Técnica Redentorista _ ETER, na ocasião a Academia Brasileira de Literatura de Cordel irá fazer a colação do brasão da ABLC. Confira, abaixo, um resumo da história que originou esse cordel.

O boi Cambaú nasceu no dia 06 de junho de 1894 no Sítio Sãojoãozinho, de pêlo preto e estrela cinzenta na testa (LIMA, 1978, p. 223) e pertencia ao fazendeiro, Sr. José Pereira Pinto.

Segundo o autor Egídio de Oliveira Lima, em seu livro intitulado “Folhetos de Cordel”, publicado pela Editora Universitária da UFPB (1978), os limites do São Joãozinho eram, em 15 de julho de 1776: ao leste, com o Sítio Olho D’Água do Coronel João Dantas; ao norte, com a Fazenda Mato Grosso, de Gaspar de Freitas Castro; pelo sul, com o Sítio Aracajú; e pelo noroeste, com o pouso São Bento, pertencente atualmente aos herdeiros da família de Severino Soares de Almeida, conhecido por Biba (in memorian). Este Sítio SãoJoãozinho foi adquirido por carta de sesmaria pelo Tenente-Coronel Agostinho Pereira da Costa, concedida pelo governo provincial de Jerônimo José de Melo Castro. Os herdeiros sesmeiros, descendentes de Agostinho da Costa, ainda hoje, em pequena parte, moram no Sítio Sãojoãozinho e são uma só família: Os “Pereira Pinto” ou “Pereira de Araújo” ou “Pereira da Costa”. Na passagem do século XIX para o século XX, o inspirado Bento Sampaio, boavistense de obra única, poetizou em seu “ABC do Cambaú” a existência de um boi de mesmo nome que, protegido por “mironga”, oração de São Cipriano, teve toda uma vida selvagem nas terras espinhosas do Sãojoãozinho, zona rural do atual Município de Boa Vista-PB. Todas as tentativas de apreensão do Boi Cambaú por parte da vaqueirama da época foram inúteis. Só foi apreendido depois que o seu mirongueiro bateu das botas. A reza tinha perdido a força. Esse tipo de recurso espiritual era também muito usado por cangaceiros nordestinos neste período em que o Brasil passava, à época, de Monarquia à República.

Os versos populares não foram publicados em impressão tipográfica em virtude da ausência de gráficas nas redondezas. Foram escritos manualmente em forma de TRASLADO algumas pouquíssimas unidades, e, talvez, distribuídos entre familiares mais próximos. O “traslado” era usado neste tempo (1880-1900) desde a chegada de Agostinho da Costa no Riacho Verde, tradição importada para Boa Vista da Cidade de Santa Luzia do Sabugi-PB.

Configurava-se como um caderno de papel almaço cujo título na capa era desenhado em letras góticas, acompanhada de oferecimento. Um laço de fita prendia a capa ao miolo (dorso), manuscrito em letras garrafais com bico de pena à nanquim. Essa forma palpável de (es)histórias rimadas e documentadas foi o que talvez inspirou o paraibano Leandro Gomes de Barros a imprimir pela primeira vez (entre 1890-1900), em série, o que chamamos hoje de folheto de cordel. Leandro viveu por um tempo entre a Serra de Teixeira e o Vale do Sabugi (1880-1890), relativamente próximo ao Cariri, absorvendo esta cultura material. O Traslado é a forma artesanal antecessora do Cordel, sendo este último impresso em gráfica na Cidade de Vitória do Santo Antão-PE, depois que Leandro Barros mudou-se do Sertão da Paraíba para o Estado vizinho de Pernambuco. Assim, Leandro deu ao traslado, uma reprodução não mais manual, mas sim industrial.

Como a oralidade sempre foi aspecto sociolingüístico muito forte no Nordeste brasileiro, o poema do Cambaú foi memorizado por contemporâneos e até hoje, após mais de um século de história, continua sendo declamado na ponta da língua por vários conterrâneos de várias gerações, embora jamais tenha sido impresso industrialmente em tipografia.

O escritor Egídio de Lima reescreveu todos os versos (26 sextilhas), entre as páginas 223 e 228 na obra citada inicialmente. Talvez tenha sido o primeiro livro (250 páginas) que documentou o famoso poema A.B.C. do Cambaú, além de outros poemas populares históricos da Paraíba.

No cordel aqui lançado (Os versos d’O vaqueiro Antônio Bernardino versus Boi Cambaú do Sítio Sãojoãozinho, 2011, 16 páginas) é feita uma releitura deste mito da geração do couro e, ao mesmo tempo, da vida real do boavistense Antônio Bernardino do Nascimento, semianalfabeto, descendente da família Vitorino, trabalhador braçal, legítimo vaqueiro, almocreve, agricultor, amansador de jumentos e um pai de família que sustentou sua numerosa prole vendendo “frechos” de lenhas, nos primeiros anos em que contraiu consórcio matrimonial com Laura Sampaio Leite do Nascimento, na primeira metade da década de 1940. Este cordel é uma estória nascida de duas histórias: uma lenda nascida de dois mitos. Uma ficção oriunda de duas realidades. São numerosos os discursos disseminados oralmente em torno da vida profissional deste vaqueiro, o qual marcou, sem pretensões quaisquer, as múltiplas atividades rurais que exerceu, somadas a de dominador de aluguel das feras animais no Cariri paraibano, especialmente nos locais próximos a Boa Vista como: São Pedro, Navio, Furninhas, Caluête, Lajes, Monte Alegre, Serra de Maracajá, Catolé de Boa Vista, Cacimba Nova, Olho D´Água, Riacho Fundo, Bravo, Sãojoãozinho, Mônica, Cumbuca. Segundo relatos ouvidos, as atividades campineiras do vaqueiro Antônio se expandiram esporadicamente a várias Cidades do Estado da Paraíba, a exemplo de Gurjão, Cabaceiras, Soledade, Campina Grande, Juazerinho, Estaca Zero, Vale do Sabugi, Piancó, até a divisa com o Estado do Ceará, atingindo assim regiões além do Cariri paraibano. Mateiro de muitos matos. De muitas pairagens!

Os versos d’O vaqueiro Antônio Bernardino versus Boi Cambaú do Sítio Sãojoãozinho. Cordel No 08, 16 páginas, Abril/2011, Boa Vista-PB, autor: Roniere Leite Soares, capa azul celeste, desenhada pelo próprio autor cordelista.

Contatos: ronieter@gmail.com
(83) 3333-9524 ou 9317-4499 ou 8735-0266

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