Metacrônica, ou melhor, metainspiração

Mês de maio, dia de domingo ensolarado, pessoas passam conversando, fico em silêncio observando e só. Preciso escrever, mas não “precisar” quase sinônimo do verbo “dever”, que por sua vez, lembra algo próximo a obrigação( obligatio), mas sim, precisar mais próximo do meu verbo “querer”, que me lembra vontade ( animus) e não somente obedecer a velhas tradições do ofício da escrita. Sabe aquele desejo de expressar-se, bem o tenho. Gosto de escrever, de falar, está bem caro leitor, deixemos de falar de mim, o leitor está ansioso a espera de uma crônica, que bom, somos dois então.

Sabe, caro leitor, gostaria que este primeiro pedacinho de mim, porque considero sim, tudo o que escrevo um pedacinho não estanque do meu ser, fosse ab ovo, desde o começo, tão belo como já dizia nosso bom Manuel Bandeira “ … que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais; que fosse ardente como um soluço sem lágrimas, que tivesse a beleza das flores quase sem perfume…” Mas paremos. Essa crônica não é uma poesia ( será?) e esse não é o último poema, mas a primeira crônica, sim confesso que errei na forma, não na essência do meu querer, do mérito. Mas como bem diz nosso bom ditado popular, errar é humano, sou humana, logo, posso errar. Porém posso consertar meu erro. Gostaria que esse primeiro contato com o leitor, não sei se o mesmo é afeito a sentimentos, abstrações, a literatura ou se o mesmo é afeito a concretudes, fatos, ou melhor, a realidade nua e crua das coisas, fosse algo que marcasse, como um pingo de picolé derretido em uma camiseta branca em um dia ensolarado. Tudo isso é uma utopia, não de Thomas Morus, mas minha, bem sei.

Em um mundo marcado por informações, essa crônica será uma a mais, será eterna enquanto durar em vossas excelentíssimas mãos, ou no máximo enquanto estiver dentro de algum livro, caderno ou apostilas até um dia ir para o cemitério de quase todos os textos jornalísticos, O LIXO. Isso mesmo, não se choque, quem vos escreve não pode continuar diante de violentas manifestações de indignação, tenhamos uma atenuante de ânimo. Bem sei, caro leitor, que o jornal tem um tempo mínimo de vida, tempo diário, ele já nasce confinado a morte. Tempo máximo de vida: vinte e quatro horas, ou menos, devido a circunstâncias qualificadoras do tipo de pessoa/ idade que o manuseia, devido às possibilidades de transporte e/ou fatores naturais, tais como a chuva, um dos piores assassinos aqüíferos verticais de frágeis folhas de jornais. Mas paremos novamente, stop. O tema é metacrônica, mas pela ordem, também coloquei metainspiração, por isso coloquei-o já que sou sempre inspirada a escrever outras coisas ( srsrsrsrssrsr).

Tenho que finalizar, pois o texto, como diria minhas boas professoras de gramática, tem que ter começo meio e fim. Paremos novamente, stop. Ab imo corde, sinceramente, do fundo do coração, espero que esse texto não tenha fim, mas que perdure em vossos excelentíssimos corações e pensamentos até enquanto dure o jornal, dependendo das circunstâncias qualificadoras que o permitam durarem, é bem verdade.

Por Mayara Tavares
Acadêmica de Direito do 7º período da UEPB, estudante de Letras da UFCG.

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