Produtividade, Ordem e Progresso

Etimologicamente, estratégia (do grego strategos) significa “arte do general”, o que denota a origem militar do conceito. Em nosso meio, há um consenso de que estratégia envolve ações ou padrões necessários para se atingirem certos objetivos preestabelecidos e, num sentido amplo, é considerada como um conjunto de regras de decisão e como elemento norteador que delimita o campo de atuação de uma empresa. Para alguns pensadores do assunto, há uma diferença entre o seu conceito e o de tática, de modo que a estratégia se ocupa do longo prazo e a tática das questões de médio e curto.

Já produtividade estratégica é a capacitação apenas dos recursos produtivos que confiram vantagens competitivas à empresa, significando uma concentração de esforços para aumentar rápida e expressivamente a produtividade desses recursos. Nesse sentido, a relação entre produtividade e competitividade é vital para a empresa que, para ser competitiva, deve perseguir a obtenção da alta qualidade.

Esforços para elevação da produtividade normalmente se vêm com uma melhor qualidade, ou seja, incrementar e desenvolver a qualidade (tanto no produto como na produção) é um meio de alcançar excelência e de estabelecer uma vantagem competitiva. Assim, ganhos de produtividade resultam numa maior folga de investimento, pois diluem os custos operacionais da empresa; ademais, a produtividade deve sempre estar subordinada à estratégia da empresa e, assim sendo, a qualidade passa a figurar como um elemento importante a ser considerado, entendendo-se qualidade como a capacidade de oferecer ao cliente o produto desejado no tempo, da maneira e com o preço requeridos.

Daí, se vislumbrar os principais benefícios advindos do aumento da produtividade: redução dos preços dos produtos; redução da jornada de trabalho; geração de emprego na indústria de bens de capital; e aumento da renda per capta.

Aparentemente, a dificuldade de se atingir esse aumento de produtividade está conectada com o perfil da mão de obra necessária para tal que, notadamente, deve ser mais bem capacitada. Desta forma, como já mencionado, aumentado-se a produtividade, diminui-se progressivamente o custo fixo de produção e, em cadeia, o preço final do produto; com produtos mais baratos, o poder de compra do trabalhador comum se eleva; com a elevação do poder de compra, o trabalhador ver aumentado seu espectro de bens consumidos, ou “consumíveis”; com a possibilidade de consumir bens até então não acessíveis, o trabalhador ver aumentado seu bem estar social… etc..

É uma sequência óbvia! Com o aumento do consumo, a empresa necessita aumentar a produção; para aumentar a produção, a empresa necessita de mais mão de obra; mais mão de obra significa mais trabalhadores na ativa, recebendo o salário; mais trabalhadores assalariados é mais dinheiro circulando na economia… etc.. Mais uma sequência óbvia!

Contudo, para que tal equação se mostre positiva, é necessário que a economia cresça e se mantenha em aclive. No caso brasileiro, esse crescimento deve ser da ordem de 5% ou 7% ao ano, de forma sustentada, durante vários anos, para que não haja desemprego; infelizmente é o que não ocorre.

Assim, só se cogitará real conciliação entre crescimento, desenvolvimento econômico e bem-estar social se aquela sequência ora mencionada for equacionada com uma melhor distribuição de renda (que no Brasil se mostra absurdamente mal realizada) e progressivo crescimento econômico, elevando o poder de compra da massa salarial.

Daí vêm questões adjacentes como uma melhor capacitação profissional da mão de obra disponível, advindo de uma base educacional melhor estruturada, melhores condições de saúde e moradia, menores impostos na produção etc. etc. etc..

E, delas, a pergunta final: o que a gente tem a ver com isso tudo? Isso fica pro leitor responder!

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