Soneto sobre a cegueira

A José Saramago

Ai de quem pode ver o que é sombrio,
enxergar tudo aquilo que é humano:
toda falha e virtude. É um desafio
ver a luz que revela tanto engano.

Neste escuro são todos sempre iguais,
na barbárie sabemos quem nós somos:
contraditórios, doces e brutais;
incoerentes, mais do que supomos.

Pouco importa o seu nome ou o que faz
se os seus olhos fecharem para o mundo
adeus, vaidade; orgulho para trás

Na podridão somente um moribundo.
Só quem pode enxergar o que é invisível,
vê na essência humana algo plausível.

Por Yvanna Oliveira

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